sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Arte (Sobre o documentário "Moonage Daydream" do diretor Brett Morgen)

O que não me torna um artista? Hoje, ainda impactado pelo documentário sobre o David Bowie, me coloco em oposição a ele. Quase arrogante nessa colocação, me sinto no lado oposto a um ídolo que nunca foi meu, mas que tenho uma admiração inigualável por tudo que soube sobre ele até hoje. Todas as suas fases, mudanças, Camaleão, como era chamado, sempre me pareceu muito. Artista completo, pintor, ator, músico, performer. Tudo o que eu nunca fui e nem quis ser. Ou não pensei em ser. Ou nem sabia que poderia ser. 


Continuo sem ser e sem querer ser, sem querer, não por não querer, por não saber. Hoje, tive um pequeno vislumbre do que foi sua obra, sua vida, o que esse curto documentário de pouco mais de duas horas me mostrou. Lembrei do filme “Quero ser John Malkovich". Como se pudesse entrar um pouco na mente do Bowie e ver em flashes escolhidos, partes da sua genialidade. E pensei. Muito. Sobre a minha vida, a minha genialidade reprimida. Meus medos, meus anseios, minhas vontades. Tudo que não fui e não sou e não serei. E não, não é sobre tristeza que escrevo isso, é sobre admiração e entendimento de mundo. Talvez seja uma forma de ver como eu sei que seria, se não fossem a vida, as escolhas e os caminhos. 


Daqui de fora da cabeça dele, tudo parece certo e planejado. Orquestrado. Uma vida moldada na força, na certeza de não ter certeza, como todo artista. Lutar contra tudo, ser o contrário do esperado, quando o esperado é simplesmente não se expressar. Nesse lugar, não fui o Bowie, nunca seria um Bowie, porque só existe um. Nem quis. Nunca. Nem conhecia direito com essa leve profundidade, mas sei de mim. 


Sei? Não importa. Não é sobre saber e sim sobre reclamar. Reclamar de mim, do que não fui e não serei, mas finjo que teria alguma chance. Alguma mudança poderia me tornar o escritor que sempre quis ser, o rockstar que sonhei aos 15 anos, o desenhista quando assisti “Encontro Marcado”, o ator e cineasta nascente em um apartamento em Deodoro, com os amigos que também não se tornaram músicos, atores, escritores… Todos trabalhadores, como eu. Como muitos. Eram sonhos e sonhos são isso, pensamentos incompletos não compartilhados. quando compartilhados se tornam Arte. E minha arte talvez fossem sonhos fortes demais para serem realizados, ou não. Não importa. O sonho do artista se completa na obra e minha obra é minha vida. Imperfeita como meus desenhos, incompletas como minhas estórias, sem rosto como minha atuação no dia a dia. A máscara é a Arte, viver é a arte. Quase perdi, acontece, permanece, cresce e subjuga tudo. Ah, se eu fosse. Não. Não fui e não seria. E é assim que é. 


Das coisas que trouxe pra mim, agora, assim que terminei de assistir, tenho a reclamação. Reclamo mesmo. Pela vida não ter me possibilitado. Arte é para quem pode, para quem tem, para quem acredita e fecha os olhos. Bowie acabou de me ensinar isso de um jeito estranho e misterioso. A vida não me possibilitou? Eu que fosse atrás. Eu que lute, como dizem. Nada é de mão beijada, será? Reclamo e grito sozinho no meu quarto. Choro, peço, imploro a sociedade para me enxergar como artista mesmo sem mostrar minha arte, e não importa. Porque a arte se realiza, mesmo escondida dentro de mim. Eu sou a minha Arte. Calada, cínica, cheia de imperfeições que me impossibilitam de exibir, de me exibir. Me mostro, me exibo escondido. Passeando pelos meus meandros como se fosse verdade, mesmo sem ser. Culpo tudo e todos. Há motivo para sorrir com isso tudo. Como um palhaço que nem sei como ser. Que nem sei se ri, mas rio. Rio. De onde vim e quase nunca saí. mas fiz o que quis, dentro do que me foi possível. Confuso, desconexo, é o que sou. Poeta, músico, sonhador. espero, peço, reclamo. sou eu, e aí? o que isso tem a ver com o Bowie? 


Ah, não me pergunte. Fui tocado, manchado, como uma tela suja que não tem utilidade, mas é Arte. Enquanto está lá. Parada, sendo observada. Sem técnica, sem medo, sem alma. Apenas movimento em busca, e a busca é caminho. E caminho é sonho. A realidade bate a porta, grita nos aplicativos de banco, na geladeira, nos grupos de whatsapp. mas o sonho, ele é infinito, sem bordas, como o universo. É tudo que existe. Sonhar dentro da cabeça de um gênio contempla.Estou inebriado de Bowie e talvez isso baste, por vezes. Não sempre. Pego o violão, ligo a câmera, me mostro em poucos minutos em alguma rede social e é isso que sou, e está tudo bem, ou não. Quero mais sempre. E não quero. Não importa. Quem me fez, os átomos que me compõe, os microrganismos que controlam meu humor, tudo que sou é Arte, antes de tudo. Arte vista, compartilhada enquanto vida. O que assisti hoje me impactou como uma flor cultivada na microgravidade da ISS. como a rosa do Pequeno Príncipe, que quer ser amada, e é amada, e não se importa com o amor. Porque o amor é ela, e tudo a sua volta. Astronauta, cosmonauta, alta! gritando, vivendo. 


O que eu sei é que reclamo por não ser, mas isso é o que me me faz ser. Será que era isso que Shakespeare queria dizer? Possivelmente não. Mas como sempre, não importa. Importa o movimento, a mudança, a frase, essa palavra escrita despejada em um papel de mentira feita de impulsos elétricos e magnetismo. Como no cérebro, como a vida é. Hoje, pelas palavras de Bowie, entendi um pouco mais sobre mim. Principalmente que não preciso ser para ser. Só é preciso ser que sou. A vida não é Arte, mas viver é Arte. A vida é o que temos. E o que fazemos dela não importa, desde que o que se quer é simplesmente ser. Não me sinto fraco, talvez pela idade. Mas sou fraco, talvez pela idade. Não me sinto triste, nem feliz. Me sinto. Em muitos anos não me sentia. Coisas acontecem e mudam alguma coisa dentro. Entender não é o que faz diferença. Viver é diferente. Viver é mágico. É o sonho. E a Arte nasce do sonho. Mesmo que esse sonho esteja bem guardado, dentro da mente. Em universos paralelos, ou em um gênio, que realizou tanto e em seus últimos momentos, estava realizando. Vivendo e amando. 


Vou reclamar, sempre, e vou ser sempre grato. Pelos neurônios, pelos impulsos elétricos, pelos fótons, pelas moléculas de ar, pelas ondas, pelos campos quânticos que possibilitam experienciar a vida, minha e de um dos artistas mais enigmáticos, corajosos e inventivos que passaram pela vida moderna. Bowie é incrível, mas mais que gênio, ele é todos nós. Porque mais do que Arte, ele cria vida dentro de quem quer se sentir vivo. Obrigado novamente. Vamos dançar!


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Cristina

 

Mesmo longe 
Esse presente divino 
Divide meu corpo 

E reforma a alma.

Por frestas de bits

Envios constantes 

Se calam em um beijo.

Mesclado de sabor

E cor, e cabelo, e unha

Em pontos, e portos

Alegres pela vinda

Melancólicos na partida

Idas e vindas.

Mesmo longe

Cava o canto 

E lava o pranto

De não estar só.

Nesse dia

Cristo, é dia

De servir ao par

Ao trio

A família.

Me entrego e te espero 

Um dia, já é minha

Morada,

Em sonhos

Em folhas caídas

De outono a primavera 

Um ano, uma década.

Vem! Estou e sou.

terça-feira, 10 de março de 2026

 preciso de um tremolo. e de uma strato.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

 ainda...

quarta-feira, 30 de julho de 2025

61

Abraço meu corpo em prantos

sujo, vermelho, manchado 

de ontem, ou antes, já nem lembro

memórias perdidas em algum banheiro

em alguma maquiagem para disfarçar

teu lugar. não há mais lugar.

eu canso e desolado espero

algum tipo de ajuda que nem sei pedir

aprendi a ser assim, dependente

fraco, repousado, em seus braços

a me protejer de mim

não fujo mais. hoje não.

ardo em febre de ódio e vingança

como quem partiu mas já volta

com os dedos trêmulos

a mão pesada, um cheiro novo

engatilhado em teu dorso, em tua palma

não mais farás de mim sentido

não terás mais pena no dia seguinte

não dirás que a culpa é minha

porque será

a ultima vez

que me levantou a mão. 


Lean Valente - 30/07/25 18:04

sábado, 19 de julho de 2025

 O Sidarta me deu a mim mesmo. 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

 Dias e dias

Alguns ótimos

outros nem tanto

mas não pelos motivos antigos

novos problemas novas soluções

reaprender a ser só

recriar casa

remontar

reviver

de dentro do solo brota a semente

que sou em casca

em favo, em trago,

removido, recondicionado

me fala o que faz

de mim em ser.

Eu estou sendo

até amanhã

e depois eu vejo

onde vou chegar.

evito o olhar 

para não chorar 

pelo que se foi

pois o que vem é grande

pesado, novo, cheio

e demanda minha atenção 

por mais que ainda doa.

doar é um ato de amor

doer é um ato de coragem.


Lean Valente

14/07/25 - 17:31


sábado, 5 de julho de 2025

 Vocês que me leem (eu sei q tem gente..) pode comentar anônimo msm.. gosto de interação.. o máximo vai ser eu demorar pra ver.. minha vida, aqui, é livro aberto e todo torto.. rs <3

sexta-feira, 4 de julho de 2025

 Cada dia maior, cada dia mais distante

entrego-me ao acaso, espero as feridas fecharem 

completamente

o que é passado, retorna ao seu lugar

o que é futuro fura-me como ansiedade

o presente sou eu

me dando 

à vida

Enquanto sou só um caminhando 

encontro paz, cada dia maior.

deixo o que passou, cada dia mais distante.


Lean Valente 

04/07/25 - 19:21

terça-feira, 1 de julho de 2025

Day after day it reappears 

Night after night my heartbeat, 

shows the fear 

Ghosts appear and fade away


Overkill - Man At Work

terça-feira, 24 de junho de 2025

 Ser eu é tão bom.. abaixo a guarda dois segundos, dois socos na cara... aiai... 

Mas eu to feliz. seguro, olhando pra frente. focando em trabalho. é o melhor a fazer. 

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Sempre há


Sempre há retorno
Se não pra si, pro mundo
pra vida, pro sonho, 
sempre há caminhos
ora fechados, hora atrasada
sempre há chuva 
sempre há lama na pista
sempre há curvas, retas,
subidas e decidas
sempre há placas 
que indicam e confundem
sempre há um parachoque
guardrail, sempre há letras
línguas, mãos, contramão, traços
ora tracejado, hora sequencial
sempre há carona, pedido, oferecido
sempre há barulho
confusão, trânsito, 
estrelas e planetas
ora alinhado, hora errante
sempre há neblina, 
sempre há acostamento
sempre há e sempre terá
acolhimento, alimento
parada para respirar
esticar as costas
ora de frente, hora agora
sempre há retorno
sempre há estrada.

nem sempre há pedágio.

Lean Valente
26/05/2025
15:25

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Entre a Utopia, Entropia

Escrevo para mim

Ou para ninguém

Que me lê aqui.                                                          (Se é que existe alguém em mim)

Não há mais links

Entre o que escrevo

E o que sinto

E sentir é grande

É dádiva

Só quem sente

Consegue sorrir

E chorar, e cantar

E viver plenamente                                                       (Minimamente)

Porque viver

É sofrer, é lutar

É uma batalha diária

Contra a entropia

O decaimento celular

A finitude                                                                       (Ahh, há finitude, sempre acaba.) 

Viver é lutar.


Escrevo pra mim

Para que eu lembre

Mesmo ninguém lendo

Mesmo que meu livro não exista

Mesmo que minhas musicas não toquem                    (Nada toca, atualmente)

Mesmo que eu seja só uma voz vazia

Ecoando dentro de mim

Eu escrevo para mim

Para me lembrar sempre

O ruim, o bom, o eterno e o etéreo                                 (A forca, a força)


Viver é lutar

Contra a entropia

Isso é o importante                                                          (Para quem abre o coração)

E organizar letras

Representando fonemas

Em palavras com significado

Inventado por seres humanos

Em comunidade, e reunindo

Essas palavras em sentenças

Que formam ordem

Diante do caos.


Escrever é viver

É lutar contra a entropia. 

Lutar contra a finitude

Porque tudo acaba

E lutar contra o fim

É o que nos faz vivos.                                                     (Sitios, casos, planos, enfins..)


Entropia é desordem

Entropia é caos

Entropia é a falta de troca

Entropia é o fim da mudança.                                         (Ser feito de mudanças dói

                                                                                         Pois encarar quem se é

                                                                                         É perceber que não se é 

                                                                                         Nunca o que é necessário)

Viver é lutar!


(Por mais fraco que sou, eu luto, em luto.

E escrever é minha forma de reorganizar o universo

Refazer ordem, desfazer o aleatório

Conquistar através do texto

Meu sempre novo eu)


                                                                                         Tem dias que esquecemos.

   E a entropia vence

     Uma mão aberta, vindo na cara

 E lembrando que o fim é implacável

 Não importa o quão forte sejamos.



Talvez eu devesse seguir conselhos

E fazer outras coisas.

Talento é para quem pode

Amar é para quem pode

Viver é para quem pode.

Eu posso

Lutar

Diariamente

Sozinho

Contra a entropia

Que desfaz os gradientes

E torna tudo homogêneo

Sem importância

Sem mudança

Sempre igual a como sempre foi.

Se foi... como sempre...


Dias e dias. 

Entropia!


Lean Valente

12/05/2025 11:40


sábado, 10 de maio de 2025

Esse sentimento de incompletude vai passar. Não há o que ser feito. Não há retorno. O amor não volta atrás quando o desinteresse está por trás dos olhos. 

não preciso, só queria. Não é o fim, só é parte. e parte que se vai, não volta mais.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

 Ser feliz não é estar com alguém.

mas estar com alguém ajuda a ser feliz.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Feliz Ano Velho

Amo o profundo
Mergulho, me banho

Abraço as águas ao meu redor

Me envolvo, me entrego

Me abro de dentro pra fora

E bebo com gosto

O que me pega

Que me enlaça

Com imensidão e sonho

Espera e gozo

Desejo e futuro.

Amo o profundo.


Por vezes mergulho

E é impasse

É sem interesse

É raso. 

Bato a cabeça

Paralizo

Do pescoço pra baixo

Hospital

Remédios

Recuperação

Por vezes, cadeira de rodas

Até conseguir novamente subir na pedra

E pular em outro mar. 


Amo o profundo

Por vezes, não é tão fundo.


Lean Valente

25/04/2025

22:17

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Vago

Já já acaba
Acaba o céu, acaba o chão
acaba o sonho e a ilusão
a rima não foi intencional
foi mal, por não ser
exatamente como deveria
importante, entre diferentes
já já pendura
perdura esse espaço
vazio sem significado
sem dados concretos
de passado, que passado
se sem memória não há história
não temos o que fazer
terça, quinta ou sábado
qual diferença faz
se não ser é estado perpétuo
se manipulado e descartado
ainda preciso ser à sombra
uma vaga lembrança incomoda
que custa valor
ser pelo que gasto
gasto que é o que sou
para aplacar a dor
de ser responsável, é mais fácil
fugir, eu sei bem
já estive aí
já estive aqui
não sei onde estar
sem o medo não há
sem desejo não há
sem existir como há
aaaaahhhhh.
não me permito gritar
fecho minha garganta com doses
para calar as vozes
para seguir não sendo
nada importante, nada para ler aqui
nada a dizer porque não tem ouvintes
nem aqui nem lá
nem por mim,
nem em lá maior
batimentos por minuto
tocando música
sem ouvinte
no silêncio
balançando sem fim
sem memória
sem ser 
100
300
700
2500
3600
segundos
metros
quilos
de peso
sem importância
cortado num golpe só.

Lean Valente
24/04/2025
15:33

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Rotas de Colisão - Música

Inspirada no livro "O chão que ela pisa" de Salman Rushdie

Muito mais, além 
do que se pode imaginar
Frio como o céu, 
de longe eu vejo a estrela brilhar.

Será que é passado
Ou apenas segundos de amor
Sinto tudo sozinho
Embaixo do cobertor.

Retratos e canções 
De quem partiu e já não volta mais
Ou talvez nunca existiu
Será que vou ficar em paz?

Depois da melancolia
Ainda tem essa desilusão
É que quando eu pensava em guerra
Descobria uma nova paixão.

Te vejo no outro mundo
E esqueço que ainda sou de cá.
Tento romper barreiras, mas
Não há caminhos para voltar.

Existe uma colisão, eu sei
Um dia de reencontrar
Mas dentro desse espelho
Não dá mais pra aguentar.

E eu disse pra você
Que no outro mundo eu não posso ficar
Eu disse pra você
Que na fronteira eu tenho que parar
Eu disse pra você
Que a gente ainda não se separou
Eu disse pra você
Mas você não me escutou.

sexta-feira, 18 de abril de 2025


É tão bom ver quem você ama feliz!