quarta-feira, 6 de junho de 2007

O fim dos Hermanos em 4 atos.



O vento - Rodrigo Amarante


"Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar!"


Pois é - Marcelo Camelo


"Pois é, não deu. Deixa assim como está, sereno."


Primeiro Andar - Rodrigo Amarante


"Eu preciso andar um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou"


Sapato Novo - Marcelo Camelo


"(...) poderia até pensar que foi tudo sonho, ponho meu sapato novo e vou passear sozinho"

sexta-feira, 18 de maio de 2007

FMI - Futebol Musical Intercontinental


Bom, normalmente vocês me verão falando aqui sobre música, mercado fonográfico, bandas novas, e coisas do tipo. Mas hoje resolvi tratar sobre um tema engraçado que acabei percebendo ao ler um tablóide esportivo bem popular aqui no Rio de Janeiro. Pode-se dizer que foi um Lance que eu li num jornal.
O Flamengo planeja a contratação de um jovem talento que joga no Paraná Clube. Até aí morreram neves, claras e gemas. O melhor da coisa está no desenrolar da matéria que explica as dificuldades de tal contratação.

O passe do jovem talento, que possui apenas vinte e um anos, perpassa por uma negociação com o Paraná, clube onde o jogador atua, o empresário, que mantém uma parte do passe do jogador, o Coríntians, clube com o qual o jogador possui vínculos, e por último, o próprio jogador, é claro. Nesse ponto todos se perguntam: “que diabos o Lean está falando?”.

Para entender o ponto de vista temos que fazer uma pequena análise de a quantas anda o futebol nacional (senão mundial). Hoje em dia qualquer jovem promessa de talento futuro em qualquer peneira de futebol de várzea possui um empresário por trás que negocia seus passes por preços bem acima do que eles realmente valeriam para com isso, conseguir publicidade sobre o nome do jogador e, conseqüentemente, aumentar ainda mais o valor do passe do mesmo. Nesse caminho foram criados incontáveis campeonatos sub-qualquer-coisa a fim de valorizar o futebol praticado por esses garotos que ainda não estão prontos para assumir um posto nos times principais de suas respectivas equipes. Existe toda uma gama de campeonatos, desde mundiais, mundialitos, copas Américas, estaduais, tem de tudo para mostrar ao mundo como joga aquele garoto de 14 anos, aquela promessa de 16. E é justamente nesses nichos que os empresários agem, trazendo profissionalismo a uma criançada que ainda está brincando de jogar bola (e jogando muitas vezes melhor que os próprios profissionais).

Bom... daí que quando você transforma um garoto de 14 anos numa jovem promessa do futebol, há de se arcar com tal despesa para transforma-lo no talento. O empresário investe em divulgação do nome, aumenta multas rescisórias, negocia com o estrangeiro, faz o diabo a quatro para que quando esse jogador chegar aos 21 anos possua um valor muito maior que aquele que não tem preparo mercadológico nenhum. Está aí feita a tal análise.

A isso costumou-se chamar de profissionalização do futebol. Clubes virando empresa e tratando seus jogadores como seus mais importantes empregados. Contratando olhando para o mercado e não para o talento individual, investindo fortes quantias para que seus times não percam campeonatos e se perderem, para que no ano seguinte participem do maior número de campeonatos a fim de conseguir fundos para manter toda a estrutura de pé. A máquina de vencer deixou de ser algo por paixão e se tornou um negócio especulativo como ocorre na bolsa de valores, quem souber investir melhor tem mais chances.

De certa forma isso foi bom, pois hoje em dia podemos passar nossas noites de quarta e nossas tardes de domingo assistindo a futebol na televisão, sem contar aqueles que possuem pacotes pagos que podem ficar 24hs por dia vidrados nos principais lances do Brasil e do Mundo. E foi bom também para o tal jovem talento que com vinte e um anos ganha o que Garrincha, Rivelino, Mirandinha, Nunes, só para citar alguns dos grandes talentos do futebol nacional, não ganharam com suas idades (ou mesmo por toda a vida) como jogadores (não exemplificando o caso do jovem apoiador, possível contratação do Flamengo, uma vez que nem sei qual o valor de seu passe). Hoje uma jovem promessa ganha muito mais que Pelé com 18 anos consagrado campeão na copa de 58. E isso é bom para o jogador.

Porém alguém tem que perder, e quem perde, infelizmente, é o futebol dos menos favorecidos financeiramente que vê suas futuras estrelas não vingarem por conta de falta de maturidade para lidar com o tal profissionalismo precoce ou brilharem no exterior por conta de melhores oportunidades e melhores salários. A arte de jogar futebol substituída pela profissão de jogador de futebol.

O paralelo engraçado que citei no início é justamente com a música. Hoje em dia o meio musical é muito mais profissional que antes. Hoje em dia, em home studios, é possível se forjar uma banda muito boa, tal como foi feito com o Moptop. É possível se adquirir equipamentos de qualidade de forma mais simples, é possível conseguir espaços para tocar, divulgação, tudo no meio independente. Porém, de certa forma, essa profissionalização da música tirou aqueles lampejos de inspiração dignos de Hendrix ao queimar sua guitarra, ou a sujeira pobre do revolucionário Nirvana, e até mesmo toda aquela experimentação barata do Hermeto Pascoal. Quanto mais profissional a música se torna, mais é exigido dos músicos, tanto em conhecimento, quanto em equipamento, suprimindo de certa forma aqueles pequenos gênios que não dominam nenhum dos dois. A arte de compor música substituída pela profissão de músico.

Mas como vocês já devem imaginar, eu posso estar errado.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Pirataria - Modo digital de revolução fonográfica ou roubo mesmo...


A música digital avança de forma cada vez mais rápida para dentro dos lares brasileiros. A disseminação dos MP3 players made in Taiwan está fazendo com que pessoas que antes não entendiam lhuvas de computador, baixarem MP3 a torto e a direito e, mais comumente, comprar cds com discografias completas em mp3 na banquinha do camelô e levarem pras Lan-Houses para descarregar em seu aparelhinho maravilhoso. É claro que isso acarreta problemas, e o maior deles é a tão falada pirataria, o abuso dos direitos autorais, e em maior escala, a falência das grandes gravadoras. Mas há de se pensar sobre os efeitos que a geração pós-Ipod terá sobre o mundo musical e a forma de se fazer e principalmente vender música.

Um termo que sempre me incomodou como conceito geral, o de pirataria. Não pelos motivos convencionais, de achar que pirataria é roubo, como endossa Cora Ronai em seu artigo de segunda passada no Info Etc. do Globo, mas por deturpar justamente o termo antigamente tão usado para designar os chamados atualmente Bootlegs (ahh, os termos em inglês...). Comprar um disco pirata durante muito tempo foi sinônimo de ter em casa uma relíquia absoluta, um show que ninguém tinha, uma gravação demo feita em um home studio sujo do norte de Nova York. Eu mesmo, em meus idos tempos metaleiros, tinha um vinil pirata da apresentação do Metallica em São Paulo, no Phillips Monster of Rock. Isso era sinônimo de status.
Hoje em dia, qualquer cd do Exaltasamba ou do Frank Aguiar comprado em bancas pelo centro da cidade é considerado pirata, e não só cds, dvd´s e até programas são comercializados na “pirataria” que eu insisto em chamar de comércio informal. Comércio porque é comércio mesmo, e informal porque não é possível que não se dão conta que é um negócio tão lucrativo quanto o tráfico de drogas e que não acabará tão cedo pois, diferente do tráfico, não fere tanto na moral e nos bons costumes. Fere sim nos bolsos das grandes gravadoras e das mega empresas de softwares, que são as maiores interessadas em acabar com essa venda ainda ilegal.
Sobre isso há de se pensar duas coisas. Uma delas é até onde vai a força do comércio informal em detrimento das grandes corporações e suas jogadas de marketing? Com relação a tal Indústria Musical, existe sim uma demanda muito grande por cds originais, apesar de não parecer. É claro que a maior parte da população se esbalda nas feirinhas atrás de seus cds copiados (e coletâneas de mp3 também). Mas ainda sim as vendas de cds continuam sendo negócio. No caso dos softwares, as leis que estão coibindo a proliferação dos ditos piratas em empresas tem levado a um sem número de novas aquisições dos originais. Agora seja por medo do fisco, seja por paixão ao encarte e a qualidade sonora, é fato que o mercado de cds ainda não morreu. E não deve morrer, visto que há um gancho para novos negócios em um ramo ainda pouco explorado, a venda de música digital. A Indústria ainda ganha e ainda ganhará muito dinheiro.
A outra questão a ser colocada é a seguinte: como viver em um mundo onde arte e mercadoria se misturam? Li no Globo desta terça feira uma matéria sobre meia entrada na qual Ney Latorraca diz não pagar “meio condomínio” e nem “meio supermercado”. Até aí eu concordo que os artistas ganham por sua arte e merecem receber o justo. Agora o que me incomodou foi a colocação dele dizendo que teatro é um produto como qualquer outro que vende no Ponto Frio. Aí uma inversão de valores acontece. Creio que o que está sendo feito é redefinir o termo Arte de busca do Belo por Arte busca do mercado. Tratar a Arte como mercado é como legitimar seu comércio informal, (ou vocês esqueceram que a burguesia se formou justamente indo para fora dos feudos com banquinhas de camelôs?).
A coexistência dos mercados fonográfico legítimo e ilegítimo é um tanto inviável ultimamente. Porém não obstantes estão soluções para que se crie uma forma legal de se ganhar dinheiro com música digital, daquelas que toca no seu Ipod e no seu MP3 player. Não com ações proibitivas ao usuário da internet interessado no último lançamento de uma banda da Turquia, mas com adequação dos artistas de uma forma geral em algum programa de distribuição de arte mais igualitária, seja por incentivos governamentais, seja com o barateamento do custo final dos produtos.
É claro que eu queria ter todas as minhas MP3 (que eu baixei legalmente, pagando taxas para cada um dos downloads) em versões com discos, capas, encartes, e tudo que tem direito. Mas o que eu pago por isso tudo é o justo? Há alguma forma de se tornar isso justo? Justiça só do pirata. Na lei do ferro e do fogo. Que se faça arte e deixe a Indústria lutar por espaço. É a livre iniciativa. I´ts evolution Baby!.

sábado, 14 de abril de 2007

ESSE SIM UM RECOMEÇO... NÃO O TESTE.


E mais uma vez aqui, tentando recomeçar uma história que nunca terminou de verdade. Tentando resgatar uma pequena embarcação perdida dentro de mim. Não recordo bem há quanto tempo não escrevo, mas lembro detalhadamente de todas as minhas últimas frustradas tentativas de preencher esta folha sem linhas na tela de fósforo. E sim, foram várias tentativas... Essa inclusive, caso meu texto não chegue ao fim, como um daqueles bilhetes de informação confidencial ou testamento de espiões da CIA/KGB: “caso você esteja lendo isso, significa que algo aconteceu comigo.”
Não tão dramático como o último exemplo, esse é só um exercício de prática. Um daqueles testes que você faz antes de iniciar uma atividade. Um teste vocacional, por assim dizer. Juntando idéias que aparentemente não fazem sentido, em um tempo que não me é dado, numa vida da qual estou suprimido. Sim, estou remoendo minhas lamúrias e buscando paz em alguns segundos afastado do trabalho (afastado? Ou seria escondido...). Enfim, não importa. O puro e singelo ato de escrever já me basta para trazer satisfação plena para dois parágrafos além do que presumia resumir em malfadadas poucas linhas.
O motivo de tal espírito literato foi uma pequena matéria no jornal O Globo desta quinta feira. O Rio está novamente se tornando referencial cultural para o país. Sim, salas de teatro e cinema alternativos sendo abertas, casas de shows de pequeno, médio e grande porte inauguradas, artistas se reunindo para discussão de idéias, e está acontecendo, e eu estou assistindo a isso, ao que poderá vir a ser talvez quem sabe, nossa nova revolução cultural, a Bossa Nova dos nossos tempos, a Semana da Arte Contemporânea como a tempos, foi-se a moderna. Teatro, Cinema, Música, Artes Plásticas, Literatura fervilhando por esquinas, ruas, centros culturais, lonas culturais, espaços culturais, banquinhos de praça culturais. Tudo ultimamente, no Rio, cheira a cultura.
“Um tanto de idealismo”, alguns, como meu jovem amigo Ricardo Gameiro, diriam. Sim! Deixem-me romântico e idealista ao perceber o furor cultural da noite da Lapa, das tardes passadas entre Paço Imperial, CCBB, Museu da República e MAM, ou até mesmo das madrugadas perdidas em maratonas do Odeon ou em grandes espetáculos seja na Matriz, seja no Pão de Açúcar.
E como isso me motivou a escrever? Alem da necessidade, do gosto pelo peso do fardo, a minha distancia conceitual do fato cultural. Sinto-me tão isolado quanto vazio dessa magia renascentista, Sinto-me poluído com tanta violência, com tanto descaso, com tantos ônibus, passagens, tempo de serviço. Aqui, escondido, escrevendo no trabalho, a pergunta que me motivou a escrever ainda lateja na mente como uma pequena cigarra aguardando a hora da sinfonia: -- Como fazer parte se estou a parte?
De certa forma, esse espaço literato me mantém vivo culturalmente, e, por assim dizer, me torna parte de uma das coqueluches modernas da informação, o BLOG. Para tanto opinar, quanto informar, e acima de tudo, tentar de forma humilde, ter opinião nesse mar de opinião que é a internet e, porque não dizer, o Rio reformulado com tantas cenas independentes de tantas mídias culturais diferentes.
Bom, é isso. Parece que consegui chegar ao fim de algum escrito de forma um tanto aceitável para padrões pessoais. Daqui eu entro num trem em direção a algo que muitas vezes fiquei no meio, ou na porta. Pra quem teve paciência para ler, parabéns e obrigado. Espero estar bem mais presente que outrora. Espero fazer parte. Espero.
MAS EU POSSO ESTAR ERRADO.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

esse é só um teste.. texto teste!

é isso msm. só um texte.. um testo texte,. que testa sua percepção
não busque nada
não tem nada aqui
saia da minha varanda, na minha casa de vidro

na verdade, depois de tantos anos
eu descobri que posso estar errado.

?