quarta-feira, 17 de outubro de 2007

In Rainbows – Radiohead.


Enfim sai o tão esperado sétimo cd(?) da banda de Rock(?) Radiohead(?). E sai num momento bem oportuno de sua carreira, não só pelas músicas, das quais ainda vou tratar aqui, mas também pelo marketing (tão malandramente deixado de lado na era OK Computer-Kid A) e pela revolução e alvoroço que envolveu seu lançamento.

Todos já devem estar cansados de saber que o cd(?) foi disponibilizado no site oficial da banda (www.radiohead.com) para download a preço de Casas Bahia (quer pagar quanto?!?!). E todos sabem também que só quem pagou pelo download puro e simples foram os jornalistas famosos que fazem resenha em sites especializados (e mesmo eles pagaram uma bagatela mínima só para dizer que são bonzinhos...). Eu comprei(?) o cd(?) pelo valor irrisório de 0,0 libras, o que seguiu a linha de 90% dos compradores. Muitos ainda acreditam que isso é suicídio comercial, mas em se tratando de Radiohead, que diferença faz, certo?!

Mas vamos ao disco... (na versão download, fique bem claro, porque eu ainda não tenho 40 libras para comprar a versão box com cd bonus e tal...). Esqueçam o Hail to the Thief e voltem um pouco mais no tempo. 1998 mais precisamente. Nessa data foi lançado o tal divisor de águas da música pop, o incompreedido Ok Computer, com suas nuancias, seu aprezo pela ambiência, pela musicalidade velada por arranjos cheios e melodia difusa. Não que o Rainbows seja um segundo Ok, não chega a tanto, mas para todos que vibraram com a volta das guitarras no antecessor, agora pode chorar com a voz neblinar de Thom, com as melodias ao piano do John “arvore verde”, pode pensar em arranjos até praianos(??) como é o caso de house of cards, pode se emocionar, pode pular. In Rainbows é um cd(?) do Radiohead.

Tá, vamos às novidades. Faixa a faixa por favor.

15 steps começa com uma levada que lembra um pouco Backdrifts, funkeada, talvez a que mais se pareça com o trabalho solo do Thom York. Ao fundo ficaram as guitarras, gritadas mas bem baixinhas... crianças ao fundo, vozes com efeito... experimental... caberia muito bem tanto no OK quanto no Kid A. O tempo fecha, começa a preocupar a chuva que se anuncia e busca-se uma volta para casa.

Bodysnatcher é “A” música, na minha humilde opinião, do álbum. Guitarras recheadas de fuzz, riff furioso. Parece Pearl Jam (?). A música tem cara de banda, exibindo um vigor que parecia que iria se perder entre batidas eletrônicas. Thom canta como nos tempos de The Bends. Para animar o show... Aqui desaba a chuva. O que se ouve são os pingos furiosos caindo por todos os lados.

Nude já havia sido tocada em vários shows antes do lançamento. A intro lembra algum trabalho da Bjork, com um sonzinho de vinil ao contrário como em Spining Plates porém menos fantasmagórico, até a entrada do vocal lindo de Thom e o baixo muito bem posto. Daí pra frente, piano e guitarra fazem o fundo completando a música. Uma das poucas que parecem bem finalizadas. Dá pra chorar com o vocalize do fim da música. Entrada da Florestra. A chuva diminui, mas fica mais fria. O caminho para sair dela é escuro e doloroso.

Weird Fishes/Arpeggi não deixa a dever a nenhuma das músicas do Hail, do Kid A ou do Ok (quando eu falar Kid A, entenda também Amnesiac). A Bateria, Baixo e Piano tensos no início te levam para dentro de uma mente perturbada, ou de um labirinto. Parece que se está correndo junto com Jim Carrey em sua mente sem lembranças a procura de um brilho eterno... Pode virar single, mas creio que não. No meio da música, explosão... gritos ao fundo, bateria nervosa, dá pra dançar com olhos fechados no meio da sala. Quando parece que a música vai acabar, a batida recomeça e o baixo dança entre árvores, como se estivesse entre There There e where I end and you begins. A confusão de estar perdido na floresta com a chuva.

All I need começa suave como a última citada (WIEAYB), mas logo percebe-se que é muito mais fechada. Baixo distorcido dá o clima da música. Ao sair da floresta vê-se o descampado e ao longe, a casa. Lugar onde mais venta no cd.

Faust Arp – Exit music um pouco mais rapidinha no vocal. E no violão... enfim, não é Exit Music... é uma bela melodia trançada no violão com um arranjo de violão-celo no fundo. Linda de morrer. Andando rápido, fugindo, buscando, pouco enxergando.

Reckoner tem pandeirola. Acho q isso já quer dizer muito sobre essa música. Aliais, o disco tem uma parte de percursão muito bem trabalhada. Novamente o piano dá as caras na música. Com uma guitarra traçando o caminho pelo qual a voz bem ao estilo falsete-Thom caminha. Uma parada para pensar e as vozes inundam os ouvidos. E recomeça a caminhada orquestrada até o fim. Na chuva.

Finalmente se chega a algum lugar, que não sei bem qual é. Essa é a já citada House of Cards. Uma música praiana(?) ao estilo Jack Jonhson(???) do Radiohead. Guitarrinha skazinha lenta, voz cheia de reverb, dá vontade de puxar alguém pra dançar agarradinho(???????). essa é a parada na chuva, quando se olha para o horizonte cor de chumbo e se vê um arco íris.

Jigsaw Falling Into Place começa com bateria marcada, violão com notas dissonantes, e aquela vontade incontrolável de tremelicar a cabeça como faz Thom cantando. Outra música cheia, com cara de banda. Com riffs não tão furiosos quanto da segunda música mas ainda sim assobiável. Talvez a Go to Sleep do cd. É a última corrida antes de chegar em casa na chuva.

Videotape é a mais linda, certamente do cd. Começa com o piano simbolizando gotas pingando por uma janela embaçada. Thom acorda sua bela voz junto a um fundo mágico. A bateria marca os passos, os trovões, lembra de certa forma até Los Hermanos em “De onde vem a calma” por também fechar o cd. É como estar na varanda de casa, no campo, observando a chuva. As batidas eletrônicas reaparecem no fim do cd talvez para fechar o ciclo que se abre em 15 steps. E assim acaba, solene. Só não se sabe se estavamos na chuva, ou se a chuva faz parte da gente.

Esse é In Rainbows, um disco maduro de uma banda que se mostrou madura desde que resolveu inovar. Uma viagem a um lugar mágico onde a chuva dá o tom da ambiência, onde a felicidade é relativa, onde a música é relativa, onde a venda é relativa. É ouvir e ouvir e ouvir e nunca compreender. Pois assim são os gênios, incompreendíveis. E com o Radiohead não é diferente. Enquanto eles lançam cds absurdos como esse, a gente ainda está tentando entender o que foi feito a dez anos atrás. Quem sabe daqui a dez anos, certo?!