quarta-feira, 25 de março de 2009

Radiohead Rio - 20/03/2009



I´m not here. this isn´t happening

Há algum tempo atrás eu escrevi um post com uma resenha sobre o In Rainbows no qual eu dizia que: "Uma viagem a um lugar mágico onde a chuva dá o tom da ambiência, onde a felicidade é relativa, onde a música é relativa, onde a venda é relativa". Bom, acho que meu tour por In Rainbows se encerrou no último dia 20 de março de 2009 na praça da apoteose, Rio de Janeiro.

Não vou me demorar falando sobre o show, na minha opinião, burocrático porém emocionante do Los Hermanos nem do maravilhoso espetáculo audio-visual do Kraftwerk para não perder o foco que acredito, 87% das pessoas que estavam lá tinham. O grande show da noite. Radiohead.

Dj tocando Reggae, toda aquela tensão no ar. Eu não acreditava até o último segundo. Quando os aplausos explodiram e ouvi as batidas que anunciavam 15 steps. Era verdade. E eu estava lá. As danças frenéticas de Thom, os pulos descompassados de Collin, a esquisitice suave de Jonny, a felicidade incontida de Ed e a precisão séria e britânica de Phil. Tudo lá, com suas luzes, suas câmeras de palco, seus aparelhos eletrodomésticos que produzem som. Parecia que eu estava de frente a minha televisão assistindo a apresentação deles em St. Barbara, ou no Japão, todos os lugares, menos no Brasil.

Airbag, com seus riffs absurdos, rasgaram a membrana da dúvida. Realmente não era um sonho. O que foi impressionante foi a fúria das guitarras e o sorriso de Ed’Obrian que parecia realizar um sonho tanto quanto quem estava na platéia. Ao fim das músicas os tambores colocados ao lado do palco já anunciavam que viria mais um momento único. Aliais, esse show por si só, já era um momento único, pautado por pequenos sonhos. There There e sua sombria harmonia invadiram nossos ouvidos como uma flauta indiana a cobras que balançavam ao som das batidas e das guitarras.

Fôlego... fôlego... All I need. Uma das músicas que eu considero mais bonita do In Rainbows. Com o clima das luzes terminou o processo de hipnose iniciado em There There. Éramos agora, na praça da apoteose, uma massa uniforme de notas, sinos, paixões e lágrimas.

Thom pega um violão e todos pensam “o que virá agora?!” e para surpresa de todos, Karma Police pode ser ouvida de forma clara em suas primeiras notas para delírio dos fãs. Nesse ponto, uma nota: no término da música, quando todos extasiados batiam palmas, comecei a cantar o refrão final, a comoção tomou os que estavam em volta e logo toda a apoteose estava cantando o refrão final, o suficiente para Thom voltar e cantar conosco. Perfeito, principalmente pra mim que iniciei isso.

Nude e seu baixo marcado nos tirou do chão e em seguida weird fishes nos sacudiu no ar num espetáculo não só sonoro, mas de luz também. Quando todos tentavam se recuperar, um rádio sintonizado em alguma rádio evangélica anunciava o que estaria por vir. The Nation Anthem e suas sirenes vermelhas abalaram as estruturas do palco do samba com tensão e ritmo. Logo depois a música que eu esperava ouvir desde a tour do hail to the thief. The Gloaming, dançante, eletrônica, viva. Thom e seus trejeitos... suas danças... um sonho.

Faust Arp linda como sempre, irrompeu do meio do palco por Thom e Jonny com seus violões magicamente perfeitos. E sem surpresas, após essa beleza de balada, No Surprises. Outra balada pra acalmar os corações mais furiosos por pular. Mas esses não imaginavam que logo após esse momento de pausa e braços para o alto viria Jigsaw Falling into Place. Pra pular, cantar junto. Emendada com Idioteque fizeram o trecho mais dançante do show.

Quando eu já me preparava para deixar de acreditar em outros deuses e reverenciar o Radiohead como o show mais perfeito que eu assisti, uma pedrada me deixou atordoado. I Might Be Wrong... eu não acreditei! Uma das minhas preferidas. Amnesiac. O disco que eu mais gosto do Radiohead.

Depois desse momento não havia sanidade que se recuperasse. Thom pega seu violão e toca os primeiros acordes de Street Spirit (Fade Out) e a certeza de que não há mais nada além daquele momento no mundo, me assola. Nem os acordes furiosos de Bodysnatchers são capazes de me atentar que existe matéria além das fronteiras do som do Radiohead. How to Disappear Completely fecharou a primeira parte do show com maestria. Poderíamos todos termos ido embora naquele momento. Já teria sido o show mais maravilhoso aportado no Brasil nos últimos anos. Mas queríamos mais, e eles nos deram mais.

O primeiro bis começa com o piano no meio do palco e os primeiros acordes de Videotape dão a impressão que não haveria como o show ficar melhor. Mas havia como. E eles sabiam como. Paranoide Android foi a resposta a quem acreditava que existe um máximo para a beleza de um show. Rain down cantado por 24 mil vozes, show de luzes... Sem palavras.

House of cards fez sala para que pudéssemos olhar pro lado e dizer “cara, o que eles estão fazendo. Eu vou morrer aqui! Ninguém pode ser tão feliz”. Mas pode sim. E o Thom provou isso ao puxar os primeiros acordes de Just. Nova onda de insanidade no Rio de Janeiro que só terminou ao fim dos últimos samples em Everything in it´s right place. Bom. Agora acabou! Eles sempre terminam com Everything. Acabou agora né?! NÉ?!

Não! Piano no meio do palco. Anúncio “Esta é por todas as vezes que a América do Norte tentou fuder com vocês” e (!!!!!) You and Whose Army(!!!!). Eles leram meu pensamento?! Depois disso eu esperava qualquer coisa. Queria que acabasse o mundo. Porque não haveria felicidade maior. Reckoner me fez pensar em como eu viveria depois daquilo. E para finalizar, como eles não poderiam deixar de nos fazer chorar, Creep invadiu nossos ouvidos de forma inesperada e extremamente emocionante, com sua brancura e simplicidade violenta. Um grito para todos que estavam ali, um pedido de ajuda, uma mão amiga, tudo!

Luzes apagadas, agradecimentos, e estava findada a saga. Saí do show com a certeza de que em nenhum lugar do mundo, naquele momento, haveria alguém tão feliz quanto eu. E a certeza de que demoraria muito tempo para que eu fosse feliz novamente. Talvez com uma nova vinda do U2 ao Brasil, quem sabe. Quem sabe ao menos dessa vez eu consigo assistir um show deles. Eu não acreditava mais no Radiohead por aqui e aconteceu. Aconteceu! Isso tudo que eu relatei. Queria que o tempo parasse. Queria desaparecer completamente e nunca mais ser achado após o show, ou ao menos ter dinheiro para acompanhá-los por toda a tour sul-americana. Pela Europa, pelo mundo.

Ainda ecoa por meus ouvidos o som, ainda ouço de longe... everything... in it´s right place....



sexta-feira, 20 de março de 2009

Radiohead


Talvez seja só mais um dia. mais um show... talvez

quarta-feira, 18 de março de 2009

Como uma música da Legião Urbana

é como eu me sinto
e olha que isso é bastante significativo...

domingo, 15 de março de 2009

comentário

já dizia o ditado

comenta quem pode
obedece quem tem juízo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

E se

E se o mundo
de uma hora pra outra
resolvesse acabar?

o que restaria?!


bites de palavras voando em pensamentos espatifados pela incoerência.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Quando chove

é que eu entendo
o quanto dói

domingo, 8 de março de 2009

Something in the way

you know i believe in how!

sexta-feira, 6 de março de 2009

pedaços de mim

como costumava ser assim sem pontos ou virgulas para quem quiser olhar entender sentir veias e artérias pulsantes sincronia em caminhos que me levam e elevam a um novo estágio fora do comum eu relaxo e penso que não ser eu as vezes não é saida mas encaro vinte espelhos antes da próxima cerveja na noite quente como o dia invado sem querer minha privacidade e não reconheço mais aquele que deixei em algum pote em conserva na geladeira quebrada
eu costumava sorrir hoje tento viver

quinta-feira, 5 de março de 2009

Onde estão as estrelas

Um velho debate
entre físicos Quanticos e Relativistas
Onde estão as partículas?
Onde estão as estrelas?

Uma dança cósmica
de densidade infinita
Onde estão as estrelas?
Onde estão as partículas?


De longe eu vejo um brilho pulsando entre quasares e matéria escura. uma energia vagando entre membranas e cordas que vibram no balançar perene convertendo energia em coisa tangível que amamos, odiamos e deixamos para trás. Eu sei. Eu tenho certeza.


não, não sei nada.

quarta-feira, 4 de março de 2009

se fosse

Temer é pouco claro
é fugir
de uma certa maneira

de um certo modo impreciso
eu escrevo torto

e mostro num giro de dança
que sou feliz


quem me dera
ah! quem me dera...

terça-feira, 3 de março de 2009

There Goes my hero

Uma pontada no coração
a lâmina afiada
fincada na alma
brota chuva,
céu racha
Nuvem negra pairando
saindo
voltando
sangue
em veias pela terra
pela madeira
pela lâmina.
Alguém duvida?
alguém se opôe?

um homem.
tornado Deus.

Só por hoje

uma dose

um delírio

penso

não sei.

nunca sei

ao certo

decerto

assim

ser

eu!



mas eu estou tão cansado.

O implícito da arte

Não que eu não saiba como é
ornar, untar, servir-me louco
como um martir sem propósito
não que meus cílios não balancem
quando todo meio vira fim.
sentir é arte
e eu, ator, me sinto fraco
par de folha verde desprendendo
do alto da imaginação
não que eu não saiba o que é
o que você quer
eu até consigo tocar
ver
sentir
daqui, enquanto caem os raios
queimando minhas rugas,
eu sei o que você precisa
e eu quero.
eu sim, preciso.
se eu não posso te dizer
não é porque não quero
é arte
escondida
dentro desse livro.

lê. as entrelinhas.
eu também sinto
só não sei ser.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Frase

Correndo, grunindo. Esses passos que me seguem a caminho de onde.
Cada guia segurando uma nova fonte
Uma forma de não ser.
Saberia começar?
Seria hora?
Será?!